Mestre Francisco Egídio Aires Campos

Soneto Sem Nome
Se o amor te busca , não o recuses ;
ao ver arfar-lhe o peito , o seu carinho ,
junta-te a ele , e faz do seu caminho 
o teu ; ........e com carinho o cruzes .

Em ti se acenderão milhões de luzes ,
Que haverão de iluminar-te plenamente,
Tornando-te um se irisdiscente,
E que te livrarão das tuas cruzes.

se tu buscas o amôr isto difere
em tudo ao resultado precedente,
tornando-te aos poucos tão descrente ,

E toda paz a que o amor infere ,
na tua busca , em mágoas se transfere ,
e sofrerás o amor eternamente .




Lígia
I
Te vi criança , e  continuo a crer-te ,
Tal como eras , cândida  e até franzina ,
e o mesmo algo , no rosto de menina  ,
de angelical , que impede-me de esquecer-te.


II.
Meu desejo de então era de ver-te ,
como modelo a uma filha que eu fizesse ,
para que tendo-a igual , também tivesse ,
o privilégio sem par de sempre ter-te.


III
Por ti pequei de inveja , agora vejo ,
naquele sonho que ao longe se vai ,
pois no fundo do peito o que eu queria
,

IV 
o sentido real do meu desejo ;
era do ouvir a chamar-me de pai , 
alguém angelical como eu te via
.



Minha Terra
Nos prados verdes que existem em minha terra,
Nas lindas serras, riachos e cascatas..
Nos rios que serpenteiam entre estas, 
Pelas florestas, caatingas e matas,
É que vagueia minha alma comovida..
E acha  guarida em todos estes lugares..
E de amores chora embevecida,
Pôr seus planaltos , dunas, praias, mares.

Olha das nuvens e o belo descortina, 
Sejam as tórridas plagas nordestinas,
O sul coberto a verde cultivado..
O verde pampa... A amazônica hiléia,
Acima o céu azul que dá idéia
Que vive aqui um povo abençoado.

Industrioso povo que labuta
Na ingente penúria e não fenece...
Pois reverdece a cada novo alento
Que traz-lhe da esperança o morno vento, 
em um porvir repleto de bonança.

Vendo minha alma este Brasil criança,
Que da mãe terra teve pôr herança
Tal dote de beleza...........
Ora a Deus que ele cresça com saúde
E que adote firme a atitude
De guardião de tão grande riqueza.



Com a permissão do Mestre - Setembro de 2000


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